Trabalhar por aplicativo: estudo do TST revela que custos e jornada longa reduzem a renda real do motorista

Notícias do Mundo do Trabalho
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Um estudo do Tribunal Superior do Trabalho (TST) revela que trabalhar por aplicativo pode não ser tão vantajoso quanto parece: embora a renda mensal dos motoristas de aplicativo chegue a R$ 2.996, o rendimento por hora é 8,3% menor do que o de trabalhadores fora das plataformas, devido a jornadas mais longas e custos elevados que o próprio profissional paga [1].

A pesquisa, intitulada “Trabalho e Plataformas digitais: uma análise da precarização na atividade de transporte individual de passageiros no Brasil”, aponta que cerca de 1,7 milhão de pessoas atuam no setor no país, mas enfrentam condições de trabalho que transferem riscos e despesas para o trabalhador, sem garantir direitos básicos como férias, 13º salário ou aposentadoria [1][5].

Custos mensais ultrapassam R$ 5 mil e comprometem até 30% dos ganhos

Os dados do TST mostram que um motorista típico, que trabalha 22 dias por mês com 8 horas diárias, desembolsa R$ 5.566 por mês apenas com despesas para manter a atividade — combustível, manutenção, seguro, impostos, internet e alimentação [5][8]. Para quem utiliza carro alugado, o custo chega a R$ 5.706 mensais [5].

As plataformas digitais retêm entre 20% e 30% do valor das corridas, sem transparência sobre como esse cálculo é feito, o que pode comprometer parte significativa da remuneração do trabalhador [5][8]. Todos os custos da atividade — desde a depreciação do veículo até a alimentação durante o trabalho — ficam por conta do motorista, enquanto a empresa de tecnologia não assume nenhum risco operacional [1][5].

Jornada de 44,8 horas semanais reduz ganho por hora

A jornada média dos motoristas de aplicativo é de 44,8 horas por semana, enquanto a dos trabalhadores em geral é de 39,3 horas [1][5]. Essa diferença de 5,5 horas semanais significa que, embora a renda mensal seja próxima à média nacional, o ganho por hora trabalhada é menor [1].

O estudo do TST destaca que o modelo de trabalho por plataformas coloca o motorista como empreendedor individual, sem vínculo empregatício, o que elimina a proteção de direitos trabalhistas como seguro-desemprego, férias remuneradas e 13º salário [1][7]. Essa estrutura permite que as empresas de tecnologia neguem a existência de subordinação, transferindo ao trabalhador os custos e riscos da atividade [5].

Cenário de precarização e endividamento

A pesquisa também aponta sinais de precarização nas relações de trabalho, incluindo falta de transparência na remuneração, limitações na definição de preços e na escolha dos passageiros, além de risco crescente de endividamento [5]. Outro relatório, elaborado pelo Projeto Fairwork Brasil em parceria com a Universidade de Oxford, confirma que baixa remuneração, jornadas longas e insegurança financeira são rotina para quem trabalha em plataformas de entrega, transporte e serviços sob demanda [12].

Com a expansão da economia digital, o TST observa que as empresas de tecnologia buscam reduzir custos sociais por meio da flexibilização e precarização das relações trabalhistas, enquanto expandem seus objetivos econômicos [6]. A divisão no tribunal sobre o reconhecimento do vínculo empregatício reflete a complexidade jurídica do tema, com algumas turmas resistindo ao reconhecimento de subordinação e outras já reconhecendo direitos trabalhistas [9].


📚 Fontes

[1]
🗓 20 de jul. de 2026
Estudo do TST mostra que motoristas de aplicativo podem ter renda mensal próxima à média dos trabalhadores, mas ganham menos por hora — Foto: Freepik ... Um estudo do Tribunal Superior do Trabalho (TST) mostra que a renda desses profissiona…
[12]
🗓 20 de jul. de 2026
Trabalhadores de app sofrem com baixos salários, jornadas longas e custos próprios, apontou relatório — Foto: Rowan Freeman/Unsplash Exploração, salários baixos e falta de direitos básicos. Esses são os** principais problemas enfrentados po…
[8]
🗓 08 de jul. de 2026
Trabalhar como motorista de aplicativo pode custar mais de R$ 5 mil por mês. É o que revela um levantamento do Centro de Pesquisas Judiciárias, Estatística e Ciência de Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que analisou os principai…
[5]
🗓 26 de jun. de 2026
Estudo mostra que motoristas arcam com mais de R$ 5 mil em custos mensais, enfrentam jornadas mais longas e estão expostos ao risco de endividamento Uma pesquisa do Tribunal Superior do Trabalho (TST), divulgada nesta quarta-feira (24)…
[10]
🗓 13 de jun. de 2026
Anteriormente já se percebeu que o contrato de trabalho dos motoristas profissionais por aplicativo – sob qualquer forma que venha a ter – é respaldado pela Constituição.
[11]
🗓 12 de jun. de 2026
O teletrabalho foi incluído na exceção do regime de jornada de trabalho do art. 62 da CLT, o qual lista os casos em que o empregado não fica sujeito ao limite de jornada e ao controle de horários estabelecido. ... Devido à dificuldade d…
[4]
🗓 22 de dez. de 2025
permanecendo o empregado sujeito ao controle de jornada e, portanto, ao recebimento de horas extras. ... Verificada a ... 62, III, da CLT, mantendo-se o direito ao pagamento das ... o controle da jornada quando há ferramentas tecnológicas…
[9]
🗓 15 de out. de 2025
Este trabalho explora a regulação do trabalho por plataformas digitais no Brasil, com foco nas divergências jurídicas dentro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e nas propostas legislativas em curso. A pesquisa discute como a "uberizaç…
[7]
🗓 10 de ago. de 2025
geridos por empresas de tecnologia, funcionando os motoristas como empreen­ dedores individuais, sem vínculo de emprego.
[6]
🗓 20 de jun. de 2025
[por] Com a expansão da Revolução 4.0, da inteligência artificial e da robótica, cada vez mais são introduzidas no mercado empresas que admitem integrar uma economia colaborativa, fazendo uso do trabalho humano por plataformas digitais. Ass…
[3]
🗓 02 de jun. de 2025
legal de “serviço essencial”, assumindo protagonismo no período de isolamento social e expondo as chagas da sua exploração: aumento de jornadas, diminuição de ganhos, prejuízo à saúde, adoecimento e morte. ... Ocorre que, ao mesmo tempo e…
[2]
🗓 05 de mai. de 2025
sobre sua carga de trabalho e sua remuneração.

Nota: As informações deste artigo são para fins educativos. Sempre verifique dados atualizados em fontes oficiais antes de tomar decisões importantes.